Entenda como funciona a Educação Especial no município do Rio

Cada criança tem um jeito diferente de aprender. Algumas entendem o conteúdo da aula com mais facilidade, outras precisam de ajuda, ou demoram mais para assimilar informações novas.

 É assim, com um olhar dedicado às diferentes características de cada aluno, que funciona a Educação Especial.
Nas escolas municipais do Rio, que recebem inscrições para essa modalidade de ensino a partir desta quarta-feira (25/10), os alunos com deficiência são recebidos por profissionais dispostos a garantir a participação plena deles em todas as atividades desenvolvidas na escola. Neste quesito, a Escola Municipal Floriano Peixoto tornou-se referência: o professor de Educação Física do colégio, Antônio Carlos, foi premiado esse mês pelo Conselho Municipal de Educação por seu trabalho na educação inclusiva. Segundo ele, o segredo é pensar em todo mundo na hora de planejar a aula.
“A ideia das minhas aulas é ter todo mundo junto, ninguém de fora. Se um aluno cadeirante não tem condições de jogar determinado jogo, é o jogo que tem que se adaptar a ele. Nossas atividades são criadas a partir das particularidades de cada aluno”, explica o professor.
A reputação da escola como uma referência em Educação Especial foi construída aos poucos, conta a diretora Otília Araujo. O número de alunos com deficiência foi crescendo no mesmo ritmo em que os pais percebiam a atenção dispensada aos seus filhos. Atualmente, a Floriano Peixoto tem 15 alunos com deficiência, que são completamente integrados às turmas regulares.
Uma etapa importante do processo de inclusão dos alunos com deficiência é a conversa com os pais. Segundo Otília, é preciso que eles também estejam a par do trabalho desenvolvido na escola.
“Já na matrícula, entrevistamos os pais dos alunos com deficiência. Porque às vezes eles vêm muito ansiosos, até mais que o próprio aluno. A gente procura mostrar para os pais que cada um tem seu tempo”, conta a diretora.
Além de participarem das aulas regulares, os alunos com deficiência da Floriano Peixoto têm à sua disposição uma sala de recursos multifuncionais. Lá, a professora Elna Regina de Souza, que trabalha desde 1987 com esse segmento, complementa o conteúdo transmitido em sala de aula, com ênfase na dificuldade encontrada por cada aluno.
“A sala de recursos é um apoio para os alunos com deficiência. Em acordo com o professor, é definido o que é preciso reforçar com cada aluno, levando em conta também o grau de desenvolvimento dele”, explica Elna.
A sala de recursos multifuncionais é frequentada pelos alunos com deficiência no contraturno das aulas regulares. O atendimento pode ser feito a até seis alunos simultaneamente, sempre levando em conta a atenção que cada um exige – em alguns casos, é necessário atender os alunos individualmente. A sala tem computadores, tabuadas adaptadas, jogos e outras ferramentas que dão suporte ao ensino.
Hoje com 11 anos, Davi Santos entrou na escola com cinco. Devido à dificuldade de aprendizagem, o menino ainda cursa o 3º ano, e adora o colégio.
“O Davi adora estudar aqui, quando não vem fica até nervoso. Ele gosta de todo mundo da escola, é a segunda casa dele. Eles tratam meu filho com muito amor”, conta a mãe, Lucélia.
As inscrições para a Educação Especial podem ser feitas através do site www.matricula.rio até o dia 3 de novembro.